No início contava os minutos de duração do beijo e as horas
que duravam o nosso encontro. Depois contava os dias que demoravam para vê-la
novamente. Passei a contar as semanas, meses e anos que vivíamos juntos. Contava
todos os primeiros: bilhete, telefonema, suspiro, sorriso, beijo, abraço, amasso, calor, jura, promessa, eu te amo, bagunça, loucura, aventura, viagem, casa, filho e o tal sempre.
Estive
contando que passaria a vida inteira contando com você, todos os primeiros, e
únicos, que a nossa incrível jornada de vida nos trouxessem. Uma parceria que contava com que ambos estivessem dispostos
a contar um com o outro e, com afinidade nessa contagem de tempo, que a vida
iria proporcionar todas as aventuras que nossos sonhos, ambições, promessas e
desejos pudessem almejar, tendo como nossa união tão sincera, a garantia do
apoio incondicional para atravessar por tudo de mãos dadas.
Perdi a conta de quantas chances tivemos de evitar nos
perder um do outro. Quantas vezes sua indiferença e egoísmo nos fez perder a
conta de quanto nosso amor é capaz de reconciliar qualquer mágoa ou
desentendimento.
Você deixou de contar comigo, e de contar para mim, nascendo
assim mais um primeiro entre nós: você passou a contar mentiras. E eu, quando
tardiamente vi, contei tudo a você sobre como é aquele sentimento que
compartilhávamos e seu potencial transformador em nossas vidas, mas nada a fez
crer que ainda poderíamos somar juntos em comunhão. Contava com você, contava
para você, contava por você e nada restou dessa história que valha contar.