Chega. Está muito cansado. Acorda num susto e começa o dia com suas atividades básicas rotineiras como preparar o café, escovar os dentes e vestir roupa. Na rua as coisas são imprevisíveis e por isso estar preparado com antecedência é importante. Parece coisa feita, para em todos os sinais, outros andam em sua frente como sem destino, como se apreciassem a paisagem, como quem quisessem o fazer sangrar até morrer de angústia, aos poucos e lentamente, como a velocidade que transitam. E para em outro semáforo. Toma um fôlego ligeiro para avançar algumas faixas. Os poucos metros não fazem diferença comparado a distância ainda a percorrer. Inspira profundamente e se acalma, lembra que é só mais um caminho lento a percorrer, só mais um dia que começa e só mais um de tantos que já foram e outros tantos que virão. Uma buzina o desperta dessa calmaria, uma irritação ressurge formigando da ponta dos dedos dos pés e sobe queimando as veias, irradiando por todo o corpo.
Chega. Está completamente arrasado. O seu dia seguirá, é claro, como todos os dias vêm e vão, sentindo todo o peso do mundo em seus ombros, o ser, estar e o parecer ser e estar, e tudo aquilo que o acumulou ao longo desta lenta jornada a caminho da chegada-fim que todos por imposição de sua condição humana estão fadados a alcançar.
Chega. Está certo de uma coisa, e apenas esta coisa é certa: ele uma hora vai chegar lá, seja onde, quando e como for.
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