terça-feira, 29 de agosto de 2017

Um ano de silêncio

Algo acontece comigo no mês mais longo do ano. Venho aqui, vou ali e o que vejo é assustador: o anuncio do que viria a seguir.

Talvez uma explicação mística ou cósmica satisfaça os mais imediatistas, é uma resposta fácil. Prefiro sempre uma leitura crítica, a complexidade e a dúvida. Até porque a vida se desenrola com grande inevitabilidade. Não prevê, mas pressente.

Se não nota a variação das ondas, o mar pode te engolir. Nesse hiato, fui levado para as profundezas do oceano. Um lugar escuro e sem oxigênio. Coloco fim no silêncio, após um ano, para que seja o anuncio do que virá a seguir. Já que não vejo o que está por vir, mas sinto o que estou prestes a alcançar.

Respiro.

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