quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Sobre o ódio revestido de opinião

Curioso como o passar do tempo, aliado ao tornar-se pai, criando meu filho sozinho, consigo refletir (tipo exercício de terapia) com maior (ou menor) clareza sobre alguns aspectos de minha jornada / formação enquanto indivíduo.

Por exemplo, algo que hoje é claro como luz do dia: me recordo de ouvir (direcionado a mim) desde muito pequeno "odeio sertanejo", "odeio Corinthians", "odeio Rio de Janeiro", "odeio sua igreja", "odeio fulaninho seu amigo", dentre outros tantos "odeio" que estavam ali disponíveis.

Sabe, é como dizem: "narciso acha feio tudo aquilo que não é espelho", no entanto, aquilo estava projetando para mim algo que promovia uma naturalização de um determinado comportamento, embora se busque justificar ponderando "tudo bem não gostar de deste tipo musical ou de daquele clube de futebol, ah, coisas bobas, inocentes", a intensidade daquela postura, pensada agora após 29 anos vividos no cabresto deste desdém, e nesse momento de crise ética / política / social, não é algo que se possa ignorar. O alvo não era expor uma aversão a "coisas" inanimadas, o ódio era às pessoas ali representadas. Isso elucida que algo não está saudável há muito tempo (ou nunca esteve).

Considerando que para a vida adulta já é algo perigoso, esse tipo de ambiente na infância tem maior potencial de normatizar o comportamento a qual seu discurso propõem: o "ódio" revestido de "opinião".

Disse ódio, mas é também ignorância, preconceito, falta de empatia e altruísmo.

De lá pra cá sei que reproduzi muito isso sem consciência das consequências deste tipo de postura e arcando com todos os efeitos colaterais que amargo em minha história e jovem jornada, mas tomar ciência disso, se posicionar e desconstruir esse comportamento incutido ao longo de sua formação e vivência... é maturidade que chama? Talvez. Talvez eu prefira dizer: humildade, ou ainda, humanidade.

Busco construir uma vivência diversa e acolhedora ao meu filho, não é esse país e mundo (e mentalidade) de ódio que desejo para ele.

Para quem quiser entender a origem da reflexão que se transformou nessa postagem, assista a esse vídeo: https://youtu.be/CH7XUcPLq58

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