quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Encontro com Gegé

Manhã chuvosa em SP. Empurrado para dentro do “navio negreiro”, ou melhor, metrô. Gegé estava na plataforma. Me viu e veio me contar. "Brunão, você tá ligado que o bicho pegou lá no trabalho". Fingi não saber para que ele pudesse me contar com suas próprias palavras o que ocorreu.

"A galera tá aflita, acabou caneta pra geral". "Hmm" disse sem expressar interesse. "Então, deixei a galera no maior sufoco, sabe como é, eu tinha usado a grana do almoxarifado para almoçar, faz um mês que to devendo o reembolso para o escritório, só que ai acabou a caneta, meio que eu mosquei, porque eu já tinha sido avisado que estava acabando o estoque, e não fiz a reposição, alias, nem tinha grana né, gastei tudo comendo fora".

Essa história me pareceu ser outra coisa. “Brunão, tá tranquilo, porque estão pondo a culpa no gerente, essa gente não sabe de nada né não, tô de boa, alias, vou ser o herói, hoje é dia cinco e o gerente vai acertar meu ordenado, vou lá e compro as canetas, todo mundo fica feliz e eu fui o cara que tirou todos do sufoco, daora, fala ai?”. Pensei em mil coisas, mas não disse nada. Desci na minha estação para a baldeação, eu ainda faria mais duas.

Já reparou como se anda dentro das estações do “shopping”, ou melhor, metrô. Sai dali com uma sensação de que o Gegé estava sacaneando a galera de propósito, mas no fim, acho mesmo que ele apenas não serve para trabalhar no almoxarifado. E essa história ainda me pareceu algo além.

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