segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Noites difíceis de agosto

Quando acordei notei que algo havia acontecido. Mesmo com pouco tempo desde o reencontro, sabia identificar que algo muito ruim aconteceu. Estava denunciado pelo tom cinzento na cor dos seus olhos normalmente verdes selvagens. Vê-los lacrimejando de forma melancólica era preocupante. Parecia que seu espírito natural havia sido aprisionado, ofuscando sua virilidade habitual, passando a sobrepor esse tom passivo em seu semblante. A sua voz, no entanto, mantinha a firmeza, as palavras a frieza, ao me dizer que nos últimos quase dez anos que passamos sem nos ver foram anos maravilhosos. Soube nesse instante a minha capacidade de extrair o que de bom me rodeia, deixando uma completa destruição em retribuição. De todas as possibilidades sempre percorri o caminho mais difícil e não queria essa culpa em minhas mãos. De tanto trabalhar me senti mal, simplesmente por não notar o monstro que construí dentro de mim. Olhei para cama e instantaneamente percebi que enlouqueceria toda vez quando lembrasse desse momento, mas partiria sem volta. Aconteceu que o dia estava muito quente, decidi ir ver o mar. Distante garantiria aos seus olhos o brilho de um verde intenso, com todo encanto que acompanha seu sorriso, em uma combinação sem igual. Melhor assim, temos que assumir depois de tantos anos, chegadas, partidas, cumprimentos e despedidas, o romance nem de longe passou por aqui.

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