terça-feira, 20 de setembro de 2016

Do desgaste cotidiano

Era incompatível sua versão com os fatos. Simplesmente não existia nenhuma semelhança ou explicação razoável para tal diferença.  Nem colocando uma pitada de carga emocional nessa receita, era totalmente desproporcional as medidas que passou a adotar. No entanto, como lhe era devido, fez uso de seu direito de palavra mesmo sabendo que era uma questão superada, foi assim por mera formalidade, já que você nunca, jamais,  sequer tentou ou teve interesse em fundamentar essas suas ações desproporcionais. Ouvi tudo calado. Não fiz mais uso da palavra. Perdi o apetite. Tinha toda razão, eu nada acrescentaria já que era evidente essa discrepância de nossas versões sobre como preparar um bom bolo de fubá. Fui deixado de lado, e já que não somos obrigados, resolvi dissimular, afinal, temer jamais. Que se desenrole esse quiprocó, e que seja possível digerir esse bolo amargo que preparou para nós.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Noites difíceis de agosto

Quando acordei notei que algo havia acontecido. Mesmo com pouco tempo desde o reencontro, sabia identificar que algo muito ruim aconteceu. Estava denunciado pelo tom cinzento na cor dos seus olhos normalmente verdes selvagens. Vê-los lacrimejando de forma melancólica era preocupante. Parecia que seu espírito natural havia sido aprisionado, ofuscando sua virilidade habitual, passando a sobrepor esse tom passivo em seu semblante. A sua voz, no entanto, mantinha a firmeza, as palavras a frieza, ao me dizer que nos últimos quase dez anos que passamos sem nos ver foram anos maravilhosos. Soube nesse instante a minha capacidade de extrair o que de bom me rodeia, deixando uma completa destruição em retribuição. De todas as possibilidades sempre percorri o caminho mais difícil e não queria essa culpa em minhas mãos. De tanto trabalhar me senti mal, simplesmente por não notar o monstro que construí dentro de mim. Olhei para cama e instantaneamente percebi que enlouqueceria toda vez quando lembrasse desse momento, mas partiria sem volta. Aconteceu que o dia estava muito quente, decidi ir ver o mar. Distante garantiria aos seus olhos o brilho de um verde intenso, com todo encanto que acompanha seu sorriso, em uma combinação sem igual. Melhor assim, temos que assumir depois de tantos anos, chegadas, partidas, cumprimentos e despedidas, o romance nem de longe passou por aqui.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Golpe de vista

Pés no chão apenas por questão física, já que se sentia mais leve que pólen soprado pelo vento. Esse era o efeito do descarregar o peso acumulado de muitos anos de frustração, pra dizer o mínimo. Os dias nublados deram lugar ao céu azul de oportunidades no horizonte. Era inimaginável que o acaso poderia colocar em sua órbita o grande desafio que se aproximava em velocidade galopante, ao passo que, desavisado, passava esses momentos acreditando ser um João Ricardo, se sentindo em vantagem nessa acirrada disputa, mas o seu oponente foi implacável. Pouco tempo depois foram superados os poucos corpos que os distanciavam, e a solidão o alcançou. Chegou com força avassaladora, colocando seus pés e ego em seu devido lugar. Jogado no chão, virado de pés pro ar, sentia em seu peito todo o peso do mundo. Seus dias e noites passaram a ser acompanhados pela mais profunda solidão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A historia de uma festa qualquer

Sorrisos - era a mensagem de seja bem vindo. O convite enviado era bonito, tinha fitas, strass e aquele papel especial. Coisa fina. Fique a vontade - diziam. A mesa estava cheia de opções de comida. Os doces enchiam os olhos. Dance. Cante. Sinta. Agradeça. Doe uma grana, mas não é ingresso e nem pagamento. Participe. E assine o livre antes de sair - era a única coisa que pediam. Registrar sua presença e comprovar que usufruira do que ali estavam a oferecer. Ou apenas ser testemunha do que ali estava para acontecer? Um evento burlesco onde as personagens no camarim sofriam para encenar aquele espetáculo que havia sido convocado para assistir. Uma plateia passiva, paciente, omissa e conivente. Obrigado e venha nos visitar - despediam-se e pediam socorro sem ninguém perceber. A vida segue e ninguém avisou que a historia teria que continuar após a leitura dos votos a serem pagos em parcelas vitalícias, a crédito. Vivem uma vida sem roteiro, sem objetivo e sem sentido por colocar expectativa de satisfação em um espetáculo de pouca duração. A vida é curta, e a paixão é fugaz. Não se iluda com o show. Não se iluda se for apenas paixão. Não ame em vão.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Momento perdido

Aquele dia tanto fez o atraso. A chegada era pouco aguardada, e nem por isso passou despercebido. Aquela advertência foi merecida. Os motivos foram muitos ao longo dessa exaustante jornada. Aquele cansaço fez ficar mudo a voz interior. O desgaste emocional acabou com todo e qualquer desejo real. Naquele instante ficou insustentável sua permanência. A decisão de partir tardou e não resultou em ação concreta. Aquela chance de se encontrar se perdeu novamente. Aquele foi outro dia que nada mudou em sua vida.

domingo, 21 de agosto de 2016

Quarta-feira

Então ele está contando as horas e os minutos para chegar a tão esperada quarta-feira, dia de se reunir com os amigos, tomar umas cervejas fumar uns cigarros e ter um momento de relaxamento, porém a quarta- feira tão esperada chega e ele não tem ânimo para fazer nada, a única coisa que ele sente é vontade de ficar escondido na companhia do seu cigarro e dos seus pensamentos. Ficar sozinho está se tornando rotina ele já não sente mais prazer em estar com outras pessoas a vontade de chorar fala mais alto que qualquer coisa. Ir ao trabalho não dá mais prazer, você sorri para as pessoas mais por dentro tudo está vazio, a vontade de pegar o carro e sair sem destino por aí fala muito alto, andar à 160km não dá medo, nada faz ele  sentir  medo, isso assusta outras pessoas porém ele nunca fica assustado.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A vida como um filme

Assistimos filmes e na maioria das vezes o final é sempre feliz, aquele que apanhou acabou vencendo, aquele que lutou pelo amor da bela garota acabou conquistando, o jovem feio e franzino ficou forte e popular, essas histórias de filmes sempre nos trazem um final feliz. Mas quando voltamos para a nossa realidade acabamos vendo como tudo é difícil, você nasce, cresce, passa uma parte da sua vida dentro de uma sala de aula, arruma um emprego, trabalha a vida toda, luta para conquistar o mínimo de dignidade possível e no final morre. Uma realidade bem diferente daqueles filmes que você adora ver.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

História perdida

Aquela história que foi perdida no tempo e você quer resgatá-la. Aquele sentimento que estava esquecido e você o reencontrou. Aquele momento que você estava entre amigos contando um monte de histórias, sejam aquelas felizes ou tristes.

Aquela felicidade que você sentiu naquele dia, naquela hora, e ao mesmo tempo, todo aquele ódio que está acumulado dentro de você, seja por desejos ou frustrações. Aqui dedicaremos a tudo isso: aquelas historias, aquelas perdas e aquilo tudo.

Alguns dias terão bonitas historias, outros terão somente desabafos e frustrações, seja sobre a vida, seja sobre política, seja sobre algum projeto que não deu certo. Motivados ou não, estamos hoje sempre na expectativa de um amanhã, melhor ou não, e se ele virá ou não, ninguém sabe. E na real, não queremos saber.